segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Os leitores do futuro

Destaco nesta postagem a excelente iniciativa de uma escola infantil de Porto Alegre (RS) que levou a sério a ideia de formar novos leitores para o futuro. Só que o projeto foi além: mira crianças ainda não alfabetizadas a "produzirem" livros. De imediato, poderia ser visto apenas como um gesto agradável, 'bonitinho' ou algo para enrolar os pais e mães. Na prática, trata-se de uma aposta plausível e que busca criar um ambiente favorável à criação de novos leitores - e o melhor ambiente para tal é a casa das próprias crianças.

Ao investir no manuseio de livros em casa, estimula o contato, aguça a curiosidade e a criatividade dos pequenos, faz com que pais ou responsáveis arrumem tempo para ler e até avaliem o que está sendo posta à disposição dos pequenos estudantes que sequer conhecem os segredos das letras, fonemas etc. E faz também a escola se engajar na ampliação do universo de leitores e leitoras, especialmente num mundo em que é forte a tentação de deixar com que o Facebook e demais "mídias/redes sociais" eduquem nossos filhos para o uso da palavra, da criação e do lúdico - um desastre sem precedentes, combinemos!

Reproduzo um trecho da reportagem do site Porvir, que trouxe os detalhes do projeto da Escola de Educação Infantil "Aprendendo a Crescer", de Porto Alegre:

Projeto incentiva crianças não alfabetizadas a produzirem livros

A partir de um projeto de leitura, escola de Porto Alegre instiga alunos da educação infantil a contarem suas histórias.

Leia aqui a matéria completa.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O que significa índios na universidade?

Uma notícia veiculada apenas em páginas da internet não chamou a atenção da mídia tradicional. Trata-se da formação da primeira turma de índios por uma universidade brasileira, ocorrida recentemente na Universidade Federal de Santa Catarina. Este é um fato estranho para um país que considera seus indígenas criaturas que habitariam os livros de história ou a imaginação das crianças a cada "Dia 19 de Abril". "índios na universidade?", questionariam os conservadores de sempre. Afinal, índio é uma figura emblemática na cultura brasileira. Do tipo que existiria para "compor a paisagem" ou apenas "aqueles que estavam aqui antes de nós".

Enfim, o significado desses brasileiros adentrando espaços reservados a determinadas camadas da população é de um processo de transformação que levará um tempo para ser absorvido pela sociedade. Afora não ser "lugar de índio", a universidade poderia ser a "aculturação" desses brasileiros, segundo o senso comum. Significa que o Brasil começa a dar um passo para reconhecer os indígenas como parte do seu povo. E isso é só o começo. Espera-se muito mais. Que seja só o começo. E não tenha fim.

Leia abaixo um trecho da matéria do site CONEXÃO LUSÓFONA relatando a formação da primeira turma indígena brasileira: Universidade brasileira forma sua primeira turma composta só por índios

"A Universidade Federal de Santa Catarina formou a sua primeira turma composta só por índios. O grupo se gradua em Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica.

São 85 alunos das etnias guarani, kaingang e laklãnõ/xokleng, provenientes do Mato Grosso do Sul (MS), Espírito Santo (ES), Rio de Janeiro (RJ), Santa Catarina (SC) e Rio Grande do Sul (RS). O curso teve duração de quatro anos, entre aulas na universidade e atividades desenvolvidas nas aldeias. Os estudantes receberam formação para lecionar nas áreas de infância, linguagens, humanidades e conhecimento ambiental indígena.

O juramento na colação de grau falou de cultura, liberdade, autonomia, luta pela terra, autodeterminação, alegria e crianças sadias. O discurso dos oradores ressaltou a preocupação com o futuro, a importância das tradições culturais e da demarcação de território indígena:

– Não importa o povo ou etnia a que pertencemos, somos todos irmãos, filhos desta terra – lembraram". Leia a matéria completa aqui.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Livro aborda temática de gênero com o público infantil

A escritora Janaína Leslão superou o desafio de abordar a temática de gênero com o público infantil a partir da publicação do livro A Princesa e a Costureira. Para tratar do tema, Janaína usou elementos que ilustram pluralidade, diversidade, respeito e conhecimento como ingredientes da história.

Veja a entrevista que ela concedeu ao canal Ninharias, hospedado no Youtube.

domingo, 6 de dezembro de 2015

A Avenida Paulista como laboratório de cidadania em SP

A cidade de São Paulo vive uma experiência de ocupação do espaço urbano que considero inovadora e, ao mesmo tempo, intrigante. Essa ocupação não é de novos arranha-céus, condomínios ou de conjuntos residenciais, mas de algumas ruas e avenidas. É o programa "Rua Aberta", cujo símbolo é a Avenida Paulista, fechada para carros e aberta para os moradores da cidade aos domingos. Além dela, outras vias também são abertas exclusivamente à população todo domingo.

Citarei a Paulista como experiência pessoal para estas considerações, pois virei frequentador do espaço dominical há cerca de um mês. Percorro a via de bicicleta, a pé ou uso o Metrô nos deslocamentos. É o que acontece ao longo dos seus 2,8 km de extensão que chama a atenção. A Paulista aos domingos vira um grande palco: a cada 200 metros é possível deparar com uma banda, um músico, um grupo regional, dançarinos (as), intérpretes solitários, performances, gente discursando, coletivos debatendo temas diversos e protestando contra ou a favor de algo. Tem comida, shopping centers, lojas, barracas, pequenos negócios, comida, roupa, artesanato, bazares, brechós - uma infinidade de gente que vai vender, comprar, consumir, ver e ouvir coisas.

Acrescente-se a tudo isso a estrutura de museus, galerias, instituições culturais diversas, os prédios, construções antigas e novas que fazem desta uma das avenidas que simbolizam a capital paulista há décadas. Além da Paulista, a população se desloca por suas alamedas e ruas próximas. Ao mesmo tempo, o espaço virou o que considero um "laboratório de cidadania" ao ar livre. As pessoas fazem piquenique, levam a família, sentam no asfalto que durante a semana inteira é exclusividade dos carros, ônibus e motos. A ciclovia e a ciclofaixa completam o cenário onde tudo acontece, menos o uso do carro.

Os músicos apresentam seu repertório, mostram sua arte, as bandas atraem grupos específicos. A cada domingo surgem novos grupos, novas apresentações. Neste domingo (6/12), a Banda Marcial do Senai tocou diante do prédio da Fiesp, que aderiu ao programa municipal. A poucos metros dali, sanfona, triângulo e zabumba davam o tom para a apresentação de música nordestina. Na calçada contrária, banda de blues, jazz e intérpretes de repertório erudito completavam o cenário diverso.

Afora música, comida, passeio, diversão, compras, consumo, esporte, recreação, lazer, alegria, descontração, contato com arte, cultura, conhecimento, política, debates, muita coisa de forma gratuita, a população de São Paulo tem na Paulista a oportunidade de se transformar. De se ver como uma cidade tão diversa e complexa que se refaz no seu próprio concreto.

Quais frutos esta experiência produzirá, não se sabe ainda. A certeza é que a cidade não é mais a mesma desde que o espaço passou a ser ocupado. E como ocupa as pessoas com outras coisas, tira do marasmo, com muitas famílias saindo do domingo fora das telas de suas tevês e vindo para a rua. Muitos negócios, famílias, músicos, artistas, criadores e coletivos dando seus passos, se ampliando. É algo ainda sem uma medida.

Enfim, esta talvez seja uma oportunidade de ouro que a cidade de São Paulo tem em mãos para produzir uma nova onda de cidadania. O que parecia ser apenas um incentivo ao uso da bicicleta na cidade dos carros, da poluição e do barulho agora ganha ares de novidade. E que novidade. Parabéns São Paulo por viver esse momento tão intensamente!

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A comovente e inspiradora história de Nanci

DO SITE DO MUSEU DA PESSOA

"Nanci é uma jovem que nasceu com paralisia cerebral e escoliose, mas que tem no otimismo a sua força de vida. Em seu depoimento ao Museu da Pessoa recorda fatos de sua infância: as brincadeiras com as irmãs e a morte dos pais quando ela era ainda criança. Morou um tempo com os irmãos, mas um incêndio que sofreu em casa levou-a ir morar com uma tia aos 11 anos de idade. Ela relata os tratamentos que fez na AACD, o trabalho que exercia na Associação Sementinha e como aprendeu a ler numa padaria. Finaliza falando sobre os estudos que faz no Cieja da Vila Sabrina, em São Paulo e o desejo de criar um blog para ajudar os deficientes".

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Crianças: as maiores vítimas das crises econômicas

Sabe aquela coisa da qual todo mundo desconfia, mas que é necessário algo amparado em dados para se ter como certa? Este é o caso do estudo que aponta que as crianças são as maiores vítimas de crises econômicas. Os dados do estudo, publicado pela Agência de Notícias REUTERS (trecho abaixo), são referentes a países europeus, alguns dos quais conhecidas economias desenvolvidas do Velho Continente.

A longa crise que assola diversos países europeus atinge em cheio a qualidade de vida das crianças em nações como Espanha, Portugal, Itália e Grécia, dentre outras. Confira um trecho da reportagem abaixo:

"Na Espanha, Grécia, Itália e Portugal, o número de crianças e jovens que estão em situação de risco por causa de sua condição econômica aumentou desde 2007 em 1,2 milhão, passando a 7,6 milhões, segundo o estudo. Além disso, desde 2008 o número de cidadãos da UE entre 20 e 24 anos que não estão nem empregados nem estudando ou em treinamento subiu em 25 dos 28 Estados. A Alemanha e a Suécia são os únicos países onde as perspectivas para essa faixa etária têm melhorado. Na Itália, 32 por cento das pessoas na casa dos 20 anos se enquadram nessa categoria, enquanto na Espanha constituem 24,8 por cento". Leia a matéria completa clicando aqui.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Desafio: empresas destacam qualidades e não deficiências na inclusão, mostra reportagem da BBC Brasil

O novo desafio das empresas brasileiras no processo de inclusão é destacar as qualidades das pessoas com deficiência, segundo reportagem da BBC Brasil cujo link disponibilizo nesta postagem. Trata-se de uma nova postura, que busca valorizar as pessoas pelo que elas têm de melhor - e não pelas dificuldades que a condição impõe. Veja como a abordagem da matéria amplia a visão sobre o tema.