terça-feira, 12 de abril de 2011

Boa reflexão em meio ao caos da tragédia


Docente da USP publica artigo no jornal O Estado de S. Paulo refletindo sobre a necessidade de diferenciação entre uma escola e instituições comerciais e financeiras.

Vale a pena ler e pensar de forma mais assentada sobre o tema da segurança nas escolas após o ocorrido no Rio de Janeiro, cujas feridas geram toda sorte de proposta que 'garantiria' a segurança. Leia um trecho abaixo:

Escola não é joalheria ou banco

Silvia Gasparian Colello - O Estado de S.Paulo


"O fato ocorrido no Rio teve impacto não apenas naquela escola de Realengo, mas em muitas outras do País. Os educadores terão de repensar procedimentos de segurança, mas tomando cuidado para não comprometer a participação de pais e comunidade, que é indispensável.

A segurança na escola não pode ser confundida com a de uma joalheria ou a de um banco". Leia mais.

domingo, 10 de abril de 2011

Peça do livro em Feira de Teatro no interior

A peça infantil O SACI DE DUAS PERNAS será encenada no interior de São Paulo. O grupo ARTEIROS ESPETACULOSOS, responsável pela montagem, confirmou participação na III FEIRA PAULISTA DE TEATRO DO OPRIMIDO, na cidade de Hortolândia, na região de Campinas. As apresentações acontecerão nos dias 28 e 29 de maio próximo.

O espetáculo é uma adaptação do diretor teatral Reggie Fontes do meu livro O SACI DE DUAS PERNAS.

O convite para a apresentação do SACI veio da Secretaria de Cultura de Hortolândia.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Sobre o Memorial da Inclusão em SP

Reprodução de trecho da reportagem do Jornal Nacional desta quinta-feira (10) que mostra a criação de um memorial para resgatar as reivindicações dos deficientes físicos pela ampliação da inclusão no país. Veja um trecho abaixo:

Museu guarda memória da luta dos deficientes físicos por seus direitos

"O Jornal Nacional apresenta um lugar que permite a pessoas com deficiência física entrar em contato direto com a arte, como mostra a repórter Neide Duarte.

O Museu da Pessoa com Deficiência é pequeno e ocupa pouco espaço. O memorial foi criado para que a história não se perca, uma luta que começou em 1981, Ano Internacional da Pessoa com Deficiência, tempo de passeata pelo centro de São Paulo, com cadeirantes e até uma mulher em uma maca. Os cartazes eram tão simples quanto os desejos".

VEJA MAIS.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Destaque no boletim cultural da Apeoesp


O Saci de Duas Pernas foi destaque no boletim educacional e cultural do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). Veja reprodução da capa.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Autoridades, conflitos e direitos em discussão


Dois episódios ocorridos em São Paulo chamam a atenção do país pelas contradições, polêmicas e por conta das pessoas envolvidas. No primeiro, um delegado foi acusado de agredir um cadeirante ao ser questionado por ocupar uma vaga destinada a deficientes. No segundo, um vídeo que se espalhou dia desses na internet, dá conta de uma ação da Corregedoria da Polícia Civil paulista na qual uma escrivã acusada de corrupção é despida à força por policiais.

No primeiro caso, o delegado acusado da agressão disse que "apenas deu uns tapas" no cadeirante depois de sofrer algum tipo de agressão verbal. No outro, o delegado da corregedoria despiu a investigadora acusada para encontrar a prova que buscava - dinheiro ilícito que esta teria escondido em peça íntima.

Duas autoridades em situações distintas, mas que remetem a uma reflexão: até onde vai o poder de quem representa a lei? A legislação a esse respeito é clara, sabemos disso - e ambos certamente sabiam muito bem, mesmo quando foram além dos limites impostos pela lei. Ambos conflitos provocaram muita discussão nos últimos dias.

Houve quem defendesse a ação truculenta contra a investigadora, uma vez que a situação dela seria insustentável: como pode uma policial compactuar com o crime? Portanto, seria justo que, "ao mudar de lado", ela deveria receber o mesmo tratamento de uma criminosa comum - se bem que isso renderia outro debate mais profundo ainda.

Esses dois conflitos lembram uma velha máxima popular: um crime (ou um suposto crime, melhorando o ditado) não justifica o outro. Um erro não deve ser encoberto por outro. Ao ocupar a vaga do cadeirante o delegado já cometeu uma infração, que não poderia ser acobertada pela reclamação - ainda que por um impropério - deste. E nem faz sentido uma pessoa ser investigada sem que se respeitem direitos básicos de imagem e de intimidade.

A complexidade dos casos só demonstra o quanto ainda precisamos avançar no entendimento do que são "direitos humanos" - algo que vai muito além dos presídios, dos presos, mortos e feridos que movem o debate mais comum acerca deste tema na sociedade.

Todavia, esses casos já revelam a grossa camada histórica brasileira que encobre a tradicional frase atribuída a "autoridades" sempre que estas são questionadas ou querem provar que estão acima de alguém: "Você sabe com quem está falando?".

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sobre imagens, palavras e individualismo


Em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo desta terça-feira (15), o jornalista Jairo Marques faz um interessante jogo de palavras com uma definição clássica de comunicação segundo a qual "uma imagem vale por mil palavras". Como o mundo também é habitado por deficientes visuais, ele reordena a máxima: "Para quem nada vê, imagem nenhuma substitui as palavras".

Seu artigo é voltado para cobrar a implantação do sistema de "audiodescrição" na programação das tevês. Já existe tecnologia e lei para tal fim. A coisa funcionaria de forma simples: durante duas horas por dia, as redes de televisão ofereceriam a opção de um locutor descrevendo o que se passa no programa em exibição - além do recurso dos caracteres na tela conhecido como "closed caption".

Segundo ele, algo como dizer o que uma atriz faz, descrever um personagem em movimento ou alguns sons que são emitidos e que não são devidamente compreendidos por quem não vê. Seria uma espécie de "tradução" do que o vídeo mostra.

Concordo plenamente com a ideia, que vai além de uma "mãozinha" aos deficientes visuais. Amplia o conhecimento para quem é deficiente, sem esquecer que se trata de maior acesso à cidadania. Basta lembrarmos que a tevê, muitas vezes, exibe cenas durante minutos seguidos em que aparecem apenas imagens e trilha de fundo.

A propósito disso, lembro-me quando da instalação do sistema que avisa em que qual andar o elevador está e também informa sobre a abertura e fechamento das portas deste. Alguns prédios em grandes cidades já dispõem desta "gravação" - que deveria ser obrigatória em todos os elevadores, em edifícios novos ou antigos.

No meu local de trabalho, assim que o sistema começou a funcionar, muita gente reclamava da "chatice" de ouvir "porta abrindo, porta fechando, terceiro andar". Certamente se esquecendo de que isso é fundamental para quem não vê.

É a velha luta contra o individualismo, outro inimigo da inclusão.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Quando o limite é a insanidade


Em todo o mundo, o futebol tem exemplos de ultrapassagem dos limites básicos de civilidade e respeito. Não importa o campeonato. É raro tomarmos conhecimento de alguma partida com equipes de renome - nacional ou internacional - em que a disputa se encaixe na clássica frase "que vença o melhor".

Milhões de cabeças, bolsos, cofres e interesses que povoam os campos, clubes, entidades, jogadores, dirigentes, patrocinadores - e por último os torcedores - fazem deste esporte um vetor de explosões e de problemas que mexem com a sociedade, nem sempre de modo a colaborar para uma convivência sadia.

A mídia destaca no Brasil os recentes casos de dois jogadores que estão deixando os campos por medo da fúria dos torcedores. Dirigentes são acusados de participar de negociatas e toda sorte de transações no mercado da bola. Juízes comentam ou são acusados de favorecer este ou aquele time. São diversos exemplos que mostram como este esporte popular hoje está tomado de problemas.

Afora os problemas acima citados, o comportamento e a reação das torcidas e de determinados torcedores talvez sejam os mais degradantes do ponto de vista da quebra de valores sociais e morais importantes e caros à sociedade como um todo. A regra dentro e fora dos campos não tem sido a do respeito aos adversários, nem mesmo aos torcedores do mesmo time. São fartos os exemplos até de assassinatos de torcedores no mundo todo, em particular no Brasil nos anos recentes.

Vale frisar o modo como determinadas pessoas se tratam no dia-a-dia, em geral usando adjetivos ligados aos nomes dos times de forma pejorativa. Não raro é notarmos o quanto se busca 'diminuir' o torcedor do time adversário com denominações como 'assaltante', 'veado' ou 'pobre'. Termos desse naipe são repetidos a toda hora em locais de trabalho, escolas, bares, restaurantes, em casa ou na rua. Virou um vício nacional maltratar o torcedor do time com o qual não simpatizamos.

De fato, trata-se de uma distorção que teria tudo para ser uma brincadeira, não fosse o modo agressivo com quem crescem os problemas e o que provocam a longo prazo. A velha e saudável "disputa" virou simplesmente um caso de vida ou morte para determinadas pessoas que fazem do futebol uma espécie de válvula de escape para problemas ou frustrações maiores.

Espera-se que a consciência acerca disso vire motivo de debate daqui a algum tempo, sob pena de perdermos o senso. Sabemos que torcer por um time é um ato de paixão, de prazer e de alegria, mas isso não pode ser confundido com uma espécie de carta branca para o desrespeito geral aos "adversários". Não faz bem a ninguém o esporte virar uma fábrica de 'inimigos' que se cruzam em todos os cantos, sempre expostos a explosões de fúria e outros problemas, maiores ou menores.

Cidadania é algo que este esporte perdeu um tanto de vista nos últimos tempos, mas pode-se recuperar com a consciência de que ninguém é melhor ou pior do que ninguém por conta de um time de futebol. E nem tem motivos para fazer disso uma batalha diária contra os outros.

Torcer com respeito e dignidade é o melhor caminho!